É normal sentir dor na relação?

É normal sentir dor na relação sexual?
Muitas mulheres não sabem mas não é normal.

É normal sentir dor na relação?

As disfunções sexuais afetam a qualidade de vida das mulheres e interferem no relacionamento com os parceiros. É comum receber no consultório pacientes que há anos sentem desconforto ou dor na relação e que não procuraram ajuda antes por acreditarem ser normal e por desconhecerem os tratamentos. Algumas pacientes até chegam a consultar um ginecologista, mas recebem outro diagnóstico. Nesses casos, o ideal é procurar um ginecologista com especialização em sexualidade para um diagnóstico mais específico.

Dentre as disfunções sexuais existem 3 que ainda são confundidas: a dispareunia, o vaginismo e a vulvodínea. O diagnóstico pode ser feito após anamnese (investigação diagnóstica a partir de uma conversa do profissional com o paciente) e pelo exame físico realizado pelo ginecologista ou fisioterapeuta pélvico.

A dispareunia é caracterizada pela dor que pode ocorrer durante ou após o ato sexual. A dor pode atingir a vagina, uretra, bexiga, pelve (baixo ventre), ocorrer em todas as relações ou apenas em algumas, surgir independentemente da posição e estar ou não relacionada ao uso de preservativo.

Alguns fatores físicos que podem desencadear a dor na relação sexual são:

• Falta de lubrificação natural em consequência de menopausa, parto recente, amamentação, uso de medicamentos que afetem os níveis de hormônios femininos ou por falta de excitação;
• Tratamentos oncológicos (rádio e/ou quimioterapia);
• Infecções, inflamações genitais ou problemas dermatológicos que afetem o equilíbrio da flora vaginal;
• Lesões causadas por parto, cirurgias ou acidentes;
• Doenças como: endometriose, cistite, miomas uterinos e doença inflamatória pélvica;
• Vaginismo, que consiste na contração involuntária dos músculos da parede vaginal.

Problemas de fundo psicológico também podem interferir na saúde sexual e provocar dores na relação sexual, dentre os quais:
• Estresse e depressão;
• Sentimentos de vergonha, culpa ou medo relacionado ao sexo;
• Traumas relacionados a abuso sexual e estupro.

O vaginismo é caracterizado por contrações involuntárias da musculatura do assoalho pélvico, que geralmente causam dor no ato sexual e impossibilitam a penetração. As causas do vaginismo ainda não são bem conhecidas. Podem ter surgido pela dispareunia, um trauma psicológico ou físico, crenças e religiões e até mesmo educação durante a infância ou cirurgias pélvicas anteriores.

A vulvodínea é caracterizada por uma ardência no canal vaginal, geralmente diagnosticada por um teste realizado no consultório chamado de teste do cotonete e outros exames complementares. Em muitos casos pode causar dor pélvica crônica, queimação, irritação e dores durante a relação sexual. Muitas pacientes se queixam que ações simples como colocar um absorvente interno, andar de bicicleta e usar calças jeans – atos que geram a uma pressão sobre a vulva – podem gerar dor e ardência. Até mesmo um simples toque na região pode causar um incômodo.

O que se observa na prática clínica é que uma disfunção sexual pode levar a outra e vice-versa – por exemplo – se a mulher não tem lubrificação e fica tentando relação ela pode sentir muita dor e com o tempo ir contraindo essa musculatura involuntariamente e com isso impedir a penetração. Mas claro que tudo deve ser investigado e avaliado para que o diagnóstico seja mais preciso e o tratamento seja adequado a paciente.

Se você se identifica com qualquer uma dessas disfunções, ou mesmo sente algum tipo de desconforto durante a relação sexual, procure um especialista. Frases ou pensamentos como “deixa pra lá”, “é frescura”, “aguenta que um dia passa”, “é normal doer mesmo, vai passar” não devem ser levadas em consideração. Essa dor pode piorar com o tempo e agravar o quadro.

O tratamento pode ter uma abordagem multidisciplinar envolvendo ginecologista, fisioterapeuta e psicólogo ou pode ser feito apenas com a fisioterapia pélvica. É importante que a paciente faça uma avaliação para que seja elaborado o plano de tratamento específico para ela.

Devemos cuidar do nosso corpo com muito amor e carinho. Ame-se e respeite-se.

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