Episiotomia X Laceração Perineal


Na semana passada falamos sobre a massagem perineal e o Epi-No, duas técnicas que podem ajudar a evitar a episiotomia e/ou a laceração perineal.
Vamos entender então a diferença entre elas.
A Episiotomia – o famoso “pique” do parto normal –, consiste em um corte, realizado pelo médico, na área entre a vagina e o ânus: o períneo. Ele é feito para abrir ou ampliar o canal vaginal com intuito de acelerar e facilitar a saída do bebê no parto vaginal (normal)
Antigamente, a episiotomia era sinônimo de um parto bem-sucedido, com isso foi ganhando espaço e sendo utilizada em todas as mulheres, sem pensar na real indicação desta instrumentação.
Existem hoje algumas indicações que justificam a utilização deste procedimento médico.
São elas: períneo rígido, estafa materna, diminuição da prensa abdominal e/ou em partos prematuros.
No caso dos partos prematuros, a cabeça do bebe não está completamente formada e a ampliação do canal vaginal evita hemorragias cranianas.
Cabe ressaltar que, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), estes citados acima representam em torno de 10% dos partos normais realizados.
Com intuito de reduzir intervenções médicas desnecessárias, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu novas diretrizes para estabelecer padrões de atendimento globais para mulheres grávidas saudáveis.
A ideia é que as equipes médicas e de enfermagem não interfiram no trabalho de parto de uma mulher de forma a acelerá-lo, a menos que existam riscos reais de complicações.
Não existe evidencia de que a episiotomia pode prevenir a incontinência urinaria e ou o prolapso pélvico (queda de órgãos pélvicos), ex. a bexiga baixa.
Com o passar dos anos e após estudos, observou-se que a episiotomia pode reduzir a força da musculatura do assoalho pélvico, acarretar dor na relação sexual e/ou dor perineal após o parto.
A gestante deve estar informada sobre o procedimento e ciente de possíveis complicações no caso da realização ou não da episiotomia.
Diante disso e após conversar com o obstetra ela pode optar pela não realização do procedimento.
Essa recusa também pode estar escrita no seu plano de parto.
A laceração perineal no parto vaginal acontece pelo mesmo motivo da episiotomia abrir o canal vaginal para ampliar o espaço para o bebê.
No entanto não ocorre por intervenção do médico, a laceração é um corte espontâneo e natural que acontece na hora da passagem do bebê.
Diferente da episiotomia temos graus de laceração perineal.
Laceração Grau I – o rasgo acontece somente na pele, normalmente não precisa de ponto pois é tão pequeno que se regenera sozinho;
Laceração Grau II – acontece na pele, na mucosa vaginal e pode pegar um pouco do músculo do assoalho pélvico. Na maioria das vezes é necessário ponto para que a região tenha uma recuperação melhor;
Laceração Grau III – acontece um corte maior e mais profundo, onde além da musculatura do assoalho pélvico também chega a cortar o esfíncter anal; e
Laceração Grau IV – grau mais grave de laceração perineal, pois o corte é profundo pegando a mucosa anal também.
A ocorrência dessas lacerações é um fato imprevisível. Existem fatores que podem influenciar que aconteçam:
• O “puxo induzido” – em que o médico fica pedindo que a paciente faça força para o bebê nascer sem que ainda seja o momento certo;
• Quando a paciente fica muito tempo em posição que pode edemaciar (causa edema-inchaço) a vagina, por exemplo ficar muitas horas na banqueta de parto;
• Parto muito rápido ou o parto muito lento;
• Primipara – primeiro parto;
• Bebê muito grande;
• Tensão do assoalho pélvico;
• Forceps;
• Vácuo;
• Estado emocional.
Podemos evitar a episiotomia e as lacerações perineais?
No período pré-parto é importante fazer a fisioterapia pélvica para trabalhar a musculatura do assoalho pélvico para deixá-la mais flexível e assim facilitar a saída do bebê.
Lembrando que uso dessas técnicas servem para prevenir as lesões e não necessariamente evitar que aconteçam.

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