Relação Sexual no Pós Parto

Relação sexual pós parto

Que tal para o nosso primeiro vídeo do ano um bate papo sobre aquela matéria veiculada no site www.paisefilhos.com.br que fizemos um post esses dias?

A matéria mencionava uma cena da novela da Rede Globo “Amor de Mãe” em que um casal conversava sobre um desafio que muitos encontram com o nascimento do bebê: a relação sexual no pós-parto. Isso também aconteceu com você?

Como percebemos que muita gente interagiu com a postagem curtindo, enviando directs e deixando comentários, resolvemos gravar esse vídeo para explicar e mostrar como a fisioterapia pélvica pode ajudar a tratar a dor na relação sexual no pós-parto.

Vale ressaltar que essa não é uma queixa apenas das pacientes que tem o parto via vaginal. Pacientes submetidas a cesariana também podem sentir dor na relação sexual. Vamos entender porque isso pode acontecer?

A gestação em si já é um fator que pode desencadear esse desconforto. Lembram do assolho pélvico, aquela musculatura que fica escondidinha e que a gente sempre fala que tem que exercitar e fortalecer porque ela é responsável pela sustentação dos órgãos pélvicos?

Então pessoal, com o crescimento uterino, o assoalho pélvico fica sobrecarregado e isso pode desencadear o surgimento de alguns pontinhos de tensão.

Para vocês visualizarem bem o que estamos falando, sabe aquela dor nas costas que a gente aperta e sente o nódulo de tensão/pontinho de dor? O mesmo pode acontecer lá na região vaginal. Se nas costas a gente aperta e sente o desconforto, o mesmo vai acontecer com a vagina na hora da penetração. Vai incomodar, vai doer e até impedir que a relação aconteça.

Além disso, com a saída da placenta o nosso corpo aumenta a produção de prolactina (hormônio responsável pela produção do leite materno) e isso implica na diminuição dos hormônios responsáveis pela libido e pela lubrificação vaginal.

Somando aqui temos pontos de tensão e falta de lubrificação. Isso vai gerar desconforto e dor na relação. Sem falar do cansaço que vem das noites mal dormidas. Ah o cansaço, como pensar em sexo se tenho tanto sono? E meu corpo? Quando vai voltar?

É realmente uma fase de muita adaptação. Uma nova rotina, novas descobertas. Não se culpe, não se julgue e não se compare com a amiga, com a blogueira ou com a atriz que estava plena e com cara de feliz dois dias depois. Cada um tem o seu tempo, o seu espaço e a sua história.

Então até aqui podemos concluir que independente da via de parto, a dor na relação sexual pode acontecer.

Em relação ao parto normal, existem também além de todos esses pontos que mencionamos acima, a laceração perineal e/ou a episiotomia que podem ocorrer no momento do nascimento do bebê.

Por falar em laceração e episiotomia, a fisioterapia pélvica é super indicada para PREVENIR, isso mesmo pessoal não é EVITAR, é PREVENIR.

Voltando ao nosso assunto, é importante entender o que está causando o desconforto na hora da relação.

Se é o fator hormonal cabe conversar com o obstetra/ginecologista, ele pode receitar uma pomada que não atrapalhe a amamentação e que vai ajudar na lubrificação vaginal. Hidratantes ou lubrificantes vaginais também podem ser utilizados.

Na Clínica nós indicamos o óleo de coco, aquele mesmo que utilizamos em casa. Sempre falamos para que a paciente compre um e deixe só para isso.

Ensinamos para nossas pacientes a passarem um pouquinho do óleo de coco na entradinha da vagina e também pode ser passado no pênis que ajuda na penetração. O interessante do óleo de coco em relação ao gel é que ele não seca.

Algumas vezes a paciente pode não apresentar nenhuma tensão na musculatura do assolho pélvico, mas ela tem medo da relação no pós-parto. E quando estamos com medo a tendência é que a gente se contraia, como mecanismo de defesa, e isso acaba dificultando a penetração.

Então se é o fator físico que está pegando na hora da relação sexual, cabe uma avaliação para saber como está a musculatura. Na Clínica nós fazemos a avaliação do assoalho pélvico 40 dias depois do nascimento do bebê para saber como está a musculatura e como tratar as queixas da paciente.

E como faz para melhorar essa tensão do assoalho pélvico? Imagina que você tenha passado o dia segurando o bebê no colo e ao final do dia está com aquela dorzinha nas costas. Uma massagem alivia bastante né?

O mesmo vai acontecer com o assoalho pélvico. Uma das técnicas utilizada pela fisioterapia pélvica para melhorar a tensão nessa musculatura é a massagem perineal que consiste em movimentar o dedo ali na entrada da vagina, liberando a tensão para aliviar a dor.

Em casos específicos, fazemos também o uso de equipamentos e técnicas que ajudam nesse relaxamento e alongamento da musculatura e consequentemente a redução da dor no canal vaginal.

Não precisa fazer em casa. Parece simples, mas não é, é desconfortável e vocês não vão saber onde pegar e nem como fazer. Aqui vale uma outra dica: procure um profissional especializado que possa te ajudar a tratar esse desconforto.

E se o fator emocional está pegando? Tenha uma rede de apoio para ajudar a aliviar o cansaço e diminuir a pressão. Familiares, amigos, vizinhos, aquelas pessoas com quem você tiver liberdade, intimidade e se sentir à vontade para compartilhar esse momento podem ser fundamentais nessa hora.

Voltando a matéria do site uma observação super importante feita pela obstetra e ginecologista Dra. Erica Mantelli foi de que o sexo não é só penetração, ele pode ser feito pelo casal de outra formas. Vale experimentar coisas novas, mas vale também muito carinho, muita compreensão, muito diálogo e muita paciência.

É hora de se adaptar à nova rotina. Aos poucos a relação sexual vai voltando ao normal. Não precisa ter pressa, não precisa de pressão. Respeite seu tempo, seu limite e não deixe de procurar ajuda, de se cuidar, de escutar seu corpo.

Nasceu uma mãe, mas ainda existe uma mulher. Nasceu um pai, mas ainda existe um marido. Nasceu um bebê que precisa dos dois.

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